Adriana Ludwig: Agora sou maratonista sub-4!

Posted by: camila | Posted on: junho 28th, 2017 | 0 Comments

Agora sou maratonista sub-4!

JUA17MIPA06489Há 15 dias, participei da maratona de Porto Alegre e consegui atingir todas as minhas metas e meus objetivos.
Essa foi a minha quarta maratona e, por incrível que pareça, foi “a minha primeira maratona de verdade”. Todas as quatro anteriores eu completei relativamente bem, mas essa teve um gostinho mais que especial, pois atingir uma meta e terminar uma maratona feliz é bom demais!

Maratona Paris e Mochilão 102Minha primeira maratona foi em 2012 em Paris. Para mim, foi uma experiência um tanto traumática, pois eu não estava preparada para o frio: achei que aqueceria durante a corrida e que não precisava usar muita roupa, o que foi um erro, pois o frio só foi piorando. Durante a corrida, eu só me perguntava, como muitos maratonistas se perguntam durante a prova “o que estou fazendo aqui”? Conclusão: fiquei quase 3 anos sem pensar em fazer novamente uma maratona.

A segunda foi na Disney em 2015. Eu não queria fazer, ainda achava que esse “negócio” de maratona não era para mim, mas acabei sendo influenciada a fazer, meu marido dizia que eu ia “tirar de letra”, ainda mais sendo na Disney. Então treinei e me dediquei. Ás vésperas descobri que estava com pedra na vesícula, sentindo dores horríveis. E agora? Vamos operar sim, mas após a maratona (Graça a Deus o médico é top e me tranquilizou quanto a operação após a corrida e acredito que isso me deu mais vontade de conclui-la). Imagina que “máximo” concluir uma maratona cheia de pedras na vesícula? Kkkkkkk Isso que é força de vontade!

IMG-20170627-WA0029Fui então para a prova da Disney. Preparei para o frio e fiz. Foi ótimo! Na Disney tudo é ótimo! Após a prova, eu não senti vontade de fazer uma outra maratona. Alguns meses depois, quando já havia passado a famosa “ressaca” da maratona, mudei de ideia, porém já com meta de tempo, colocando novos desafios. Enfim, então vamos pensar em uma terceira (e última) maratona…

Um ano e meio depois fui para a terceira (na minha cabeça naquele momento era a última) e eu escolhi a minha cidade: Porto Alegre – 2016. Para essa me dediquei muito mais, pensava em fazer SUB-4, levei os treinos mais a sério. Realmente eu tinha condições. No dia da corrida estava um frio horroroso, 0 graus na largada da prova, eu estava bem preparada para o frio, mas ele incomodou porque o corpo não aquecia. Pode ter sido um fator determinante? Pode. Mas eu acredito muito no psicológico, pois na noite anterior eu tive insônia! Pura ansiedade… Durante a corrida eu estava indo e em um ritmo bom, mas quando bateu a ansiedade (é claro que por volta dos 35km) eu resolvi “chutar o balde” e caminhei, e depois disso caminhei mais vezes sem nenhuma necessidade e então percebi que não ía chegar antes de 4hs, então caminhei mais, completei em 4:06min. Mesmo com muitos amigos e minha família me esperando e torcendo, gritando meu nome, eu terminei a maratona falando que não faria mais outra. No dia seguinte, quando olhei Km a Km no meu Polar, eu percebi que tinha totais condições de ter completado uma maratona SUB-4 se não fosse aquela minha ideia péssima de caminhar. Falo péssima porque depois que eu caminho em uma quilometragem bem alta, é muito difícil recuperar o ritmo. E aí, o que aconteceu? Resolvi tentar de novo e me tornar uma Maratonista SUB-4, pois era possível sim! Então a minha terceira maratona não seria mais a minha última…

MR16MIPA50828Desde que eu havia decidido que faria a minha quarta maratona faltava menos de 1 ano para treinar. Porto Alegre estava logo ali de novo. Me preparei muito bem: segui os treinos, fiz fortalecimento e segui uma dieta com profissional, além de me organizar para descansar o suficiente nos dias que antecediam os treinos longos. Em alguns momentos durante o treinamento, eu achei que não ia conseguir, mas meu treinador (e marido que por sinal sente mais confiança em mim do que eu mesma) me falava com muita convicção que é claro que eu ia atingir. No treino de 30Km bateu a ansiedade, não foi legal, perdi um pouco a motivação e a confiança. Depois pensei, pensei, refleti e vi que eu precisava tentar. No treino de 33km eu arrasei, fui muito bem, tive a companhia de um amigo nos últimos 4km que foi extremamente importante para a minha confiança (valeu Renato!). Dali fui para o treino de 36km, quase deixei desanimar novamente, mas ouvi frases motivacionais de amigos e aquilo me deixou com “sangue nos olhos” e com a certeza de conseguir. Arrasei de novo, muito bom! Agora era esperar o principal: a maratona. Tudo certo, clima ótimo, menos frio que no ano passado, agora é segurar a ansiedade. Na hora que deitei na cama na noite anterior, tive que me concentrar para esvaziar totalmente a cabeça para conseguir dormir. Deu certo. Pré-prova tudo certo. Na largada nem tanto: vontade de ir ao banheiro (ah, não é possível!)  Só que eu havia estudado o percurso e sabia que por volta do Km 7 eu voltaria ao local da largada e que lá tinha banheiro, então a estratégia foi correr os primeiros 7km, ver se a vontade passava, se não passasse eu já tinha a solução, isso é muito importante, tranquiliza. Então puxei um pouco o ritmo a partir do 5º Km para poder diminuir um pouco no momento em que eu fosse ao banheiro, deu certo. Bora continuar!

Mantive uma média muito boa durante quase toda a prova, consegui me manter firme, correr em uma boa velocidade para alcançar o meu objetivo, e quanto mais o tempo passava eu percebia que eu estava muito bem, mas, é claro, no 35º Km comecei a sentir o cansaço que só a nossa cabeça pode superar. E foi aí que comecei a fazer conta de tempo e pensar, racionar e trabalhar na minha meta. Percebi que se eu continuasse em um ritmo mais leve, eu conseguiria bater a meta com sobra e assim fui, Km por Km, passo por passo, não deixando as emoções tomarem conta e só deixando os pensamentos positivos entrarem (isso foi um conselho que recebi também… rsrs) e o tempo todo pensei “papai do céu está comigo”. Nos últimos Kms ouvi meu nome, isso é mágico, motivação só aumentava. Nem vi a placa do 40º km, 41º km e 42º km, só fui…. Consegui, cheguei feliz, sorridente, satisfeita: 43km em 03:55:47…. É isso o que importa: chegar feliz depois de tanto esforço!

A conclusão de tudo isso? Nunca pense que alguma coisa, algum esporte ou uma meta mais audaciosa não seja para você. Se você pensar que não pode, talvez não seja possível mesmo, mas se você pensar que mesmo assim vai tentar e conseguir, será possível.  Também não deixe de fazer as coisas que mais gosta porque tem uma corrida pela frente, mas saiba coloca-las no lugar certo e na hora certa. E mais, quando desanimar no Km 35, Km 18, Km7, ou seja, qual for a distância, se imagine na chegada cumprindo o que se propôs, sorria quando estiver fazendo isso, dá certo. Uma observação muito importante: siga seus treinos, siga o que o seu treinador planeja para você, siga a sua dieta, confie na equipe que está lhe atendendo, pois eles estudaram para isso e sabem o que estão fazendo. Eu mesmo sendo uma profissional de educação física, agi como aluna e cliente e sempre acreditei neles. Obrigada Rodrigo Lacerda, meu treinador de corrida, Rafael Lisboa, Lucão e Felipe Tavares, meus treinadores de musculação e treinamento funcional, Anna Luiza Lacombe, minha nutricionista, os amigos que me acompanharam nesse treinamento sempre me motivando, torcendo e me mandando mensagens muito legais e minha família, principalmente meus pais, que se preocupam, mas não têm dúvida de eu fazer o melhor.

Ah, só mais uma coisa: a quinta maratona? Só não sei ainda qual será… rsrs

adri

Adriana Ludwig

Treinadora de corrida na Endorfina Assessoria Esportiva.

Leave a Comment