Délio Pinheiro: Ensinamentos de pai para filho

Posted by: camila | Posted on: março 16th, 2017 | 0 Comments

Ensinamentos de pai para filho

shutterstock_390355114Talvez eu seja o mais babão dos corredores, mas não me importo nenhum pouco com isso. Aliás, sentirei muito orgulho quando meus filhos, no futuro, entenderem que eu procurava sempre estimulá-los no universo maravilhoso das provas de rua. E esse texto é uma continuação do anterior, que fiz aqui para o blog da Endorfina. Atividade intelectual que me deixa muito orgulhoso e que pretendo exercitar bastante neste ano.
A última crônica que escrevi sobre o relacionamento com meu filho Gabriel teve ótima repercussão e resolvi voltar ao assunto, dessa vez para abordar um momento pai e filho bem revelador.


Meus pequenos adoram dinossauros. O mais novinho, o Felipe de dois anos, vive dizendo “Dinofauro” toda vez que vê qualquer bicho grande na TV, seja ele dragão, Shreck, ou até mesmo dinossauros.
Bom, mas nesse dia quem assistia um documentário comigo no Netflix era o mais velho, Gabriel, de cinco anos. O filme mostrava uma era longínqua da Terra em que pequenos dinossauros disputavam espaço com mamíferos, quando existia apenas um continente, a Pangeia.

E quem gostava da “Família Dinossauros”, um fenômeno da TV americana dos anos 90 do século XX, sabe que era lá que a família Silva Sauro morava.
Através de modernos recursos tecnológicos, os bruxos da BBC de Londres reproduziram em detalhes como devia ser a vida nessas condições tão desfavoráveis. Acuada por dinossauros, a família de um mamífero extinto há milhões de anos, lutava bravamente pela vida. Era linda e comovente a devoção do pai, que defendia as crias com unhas e dentes pré-históricos.

Nesse instante, aproveitei para reforçar com Gabriel a importância dos laços entre pais e filhos, sejam eles em qualquer espécie, sobretudo aqueles nossos “primos” distantes, mamíferos assim como eu e você.
No auge do suspense, dei um pause no filme e propus um lanchinho, enquanto discursava para meu pequeno e curioso filho, alardeando que esse é o tipo de sentimento que movia a vida na terra e blá, blá, blá…

Quando voltamos para a sala de TV, dei play novamente e a voz grave do ator Kenneth Branagh, continuou a narrar a saga da família em apuros: “O pai dos filhotes resistiu bravamente aos ataques dos pequenos, e famintos, dinossauros. Mas o inverno na Pangeia era rigoroso, e num ato extremo o pai devorou os próprios filhotes…”

Meu filho arregalou os olhos!
– Devorou?
– Ele não disse devorou, disse adorou.
– Não pai, ele devorou os filhotes. Por quê?

Esses foram os segundos mais demorados que já vivi. Uma eternidade, como a que nos separa da Pangeia. Só me ocorreu falar para ele que na natureza comportamentos assim existiam, mas que não eram corretos.
– A maior prova disso é que esses imbecis estão extintos há milhões de anos. Bem feito né? Vamos ver Patrulha Canina?
– Só se for agora!

O episódio, que agora soa engraçado, mostrou-me o quanto a vida pode ser surpreendente, e é exatamente o que aconteceu comigo em relação às corridas. Há três anos eu era doze quilos mais gordo, uns cinco anos mais velho e agora sinto-me muito melhor, com mais disposição, mais gás para buscar novos desafios e novas conquistas: Em suma, o dinossauro apático que eu era acabou extinto.

Délio Pinheiro EndorfinaDélio Pinheiro

Jornalista, repórter e apresentador da INTERTV Grande Minas/Rede Globo, endorfinado de carteirinha.

 

 

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