Délio Pinheiro: Uma marca apenas?

Posted by: camila | Posted on: setembro 21st, 2017 | 0 Comments

Uma marca apenas?

foto-maratona-delioQual o limite suportado pelo ser humano quando o assunto é maratona? Em seu livro “Correr”, Dráuzio Varella relativiza o feito do guerreiro grego que, após percorrer os tais 42 quilômetros para anunciar que os atenienses haviam derrotado os persas, morreu de exaustão. Ele teria completado a “prova” em seis horas, partindo da cidade de Maratona, na Grécia. Tempo bem chinfrim, diga-se de passagem. Nos dias atuais, o grego poderia mesmo ser limado do resultado final, como acontece nas provas mais duras dessa modalidade, que estipulam tempo de corte para os participantes.

Palavras de Varella: “Se já é difícil acreditar que o soldado mais veloz do intrépido exército ateniense corresse tão distância em tempo tão medíocre, que dizer do vexame de cair morto?”

Pois bem, dois mil e quinhentos anos depois coube justamente a uma empresa de material esportivo batizada em homenagem a deusa grega da vitória, uma experiência incrível, que trouxe muito orgulho para nossa raça: o tempo inacreditável conquistado numa maratona pelo campeão olímpico Eliud Kipchoge, no Circuito de Monza, na Itália. O tempo foi próximo do “impossível”: duas horas e vinte e cinco segundos.

Claro que as condições da prova foram as mais favoráveis possíveis, com utilização de dezenas de “coelhos” para não deixar o ritmo cair em momento algum e com a providencial ajudar de feixes de laser, ou sabe se lá que tecnologia alienígena era aquela, que mostrava à frente dos competidores, três apenas, qual o tempo a ser seguido. Recurso parecido como aquele do famoso jogo “Gran Turismo”, em que precisamos superar a sombra do nosso próprio possante para avançar as fases.

O objetivo era que um dos três atletas, escolhidos criteriosamente, pudesse alargar nossa experiência nessa planetinha ao estabelecer uma marca igual ou inferior a duas horas. Mas não foi possível, graças aos citados míseros vinte e cinco segundos.

Mas não é exagero presumir que essa marca está com os dias contados. Seja neste ano, no próximo, ou até em 2020: o ser humano vai chegar lá. E no fim das contas não vai morrer de exaustão e sim saborear o feito que, ao lado da famosa pisada no terreno lunar, do disco “Sargeant Peppers” e da criação do avião por um brasileiro, ficará como um dos feitos mais notáveis de nossa raça.

Confesso que maratona é uma prateleira ainda inacessível para mim quando penso nos feitos futuros que pretendo conseguir com as corridas, mas não custa nada sonhar com essa marca mítica.

Só espero chegar vivinho da silva no final, mesmo que o meu tempo seja semelhante ao do guerreiro grego. Para mim não teria o melhor problema.

E já que lembrei dessa figura emblemática e sem nome da história do esporte, só me resta torcer para que Zeus o tenha em ótimo lugar!

Délio Pinheiro EndorfinaDélio Pinheiro

Jornalista, repórter e apresentador da INTERTV Grande Minas/Rede Globo, endorfinado de carteirinha.

 

 

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